Mesmo sem formação ou experiência no setor mineral, a indicação de Volpato gerou reação negativa entre técnicos e empresários do segmento, que questionaram a escolha por considerar que ela atendia apenas a interesses políticos.
Agora, ele é investigado como figura central em um sofisticado esquema de fraudes processuais. Segundo a Polícia Civil, Volpato e um grupo de advogados ajuizavam ações de execução de dívidas inexistentes e, com apoio de um servidor do TJMT, forjavam o pagamento dessas dívidas com comprovantes falsificados.
O servidor, Mauro Ferreira Filho, teria operado a movimentação interna nos sistemas do tribunal, fazendo parecer que os valores haviam sido pagos de forma legítima. “A organização se estruturou com divisões de tarefas entre seus integrantes, utilizando-se de documentos falsos, processos judiciais, empresas de fachada e atuação dentro do próprio Tribunal para dar aparência de legalidade ao golpe”, informou a Polícia.
Além de Volpato, outras dez pessoas foram alvos de mandados de prisão preventiva, incluindo advogados e empresários ligados a ele. Também foram expedidas ordens de busca e apreensão, bloqueio de bens, quebras de sigilo bancário e fiscal, e sequestro de imóveis e veículos. A operação cumpre 160 determinações judiciais nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Marília (SP).
A investigação revelou que o esquema utilizava os próprios processos judiciais como ferramenta para gerar créditos fictícios e sacar valores diretamente do sistema do Judiciário estadual, sempre sem que as partes supostamente envolvidas tivessem conhecimento. Entre os presos, estão também os advogados Wagner Vasconcelos, Melissa Franca Praeiro, Rodrigo Marinho, Themis Lessa, João Miguel Neto, Régis Poderoso, Denise Alonso, além de familiares de Volpato que figuram como sócios em empresas utilizadas na fraude.